Há tempos não escrevo sobre como você me dói - ou doía. Há tempos que eu não sei o que é derrubar uma lágrima. Minto. Foram apenas poucos dias atrás. Quando você ainda me doía muito e me fazia sentir coisas que eu mesmo não sabia o significado. Agora não é mais assim. Você me dói as vezes, isso quando eu te tiro da caixinha que te enfiei para nao sentir dor. Quando, no calor do acaso, eu lembro o que você é aqui dentro. E olha só que engraçado, você não é mais tudo aquilo que me restava de bom, agora é tudo totalmente diferente. Nem sei dizer quando foi que isso mudou, quando deixou de ser tão aflitivo pensar que você existia longe de mim. Agora você apenas existe longe de mim, com a sua vida, com os seus trezentos motivos pra me querer dessa forma, e eu com os meus trezentos motivos pra - somente agora -nao acreditar em muitas coisas. Longe no sentido de agora, do jeito que está. Eu te amando sempre mas você se afastando cada vez mais. Desse jeito. Sem sentimento algum nesse relacionamento que nós não temos mais. Que há muito não temos. Essa coisa muito particularmente nossa. Estranha, aflitiva, responsável e carinhosa. Uma revolução de coisas. Muito estranha. Isso que me causa náuseas só de pensar. Muito aflitiva. Essa coisa que um sabe o lugar do outro na nossa relação-não-relação. Muito responsável. Essa coisa que deveria fazer com que eu não te amasse, mas te amo (ainda). Muito carinhoso. Ta vendo só, cara? Quanta revolução nós causamos sem saber-sabendo. O lado bom é que não há motivos para arrependimentos, quer dizer, você está bem e eu estou bem tambem. Nós temos essa coisa de ficar longe e ainda assim sentir que tudo está perto. Olha cara, a vida passou a perna em nós, nos derrubou e quase riu da nossa cara. Mas ai está você, erguida e sorrindo, do jeito que sempre teve que ser. E eu aqui, sorrindo (mas sentindo uma falta tão grande da gente, que até me dói de novo).
( Felipe Moura )

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